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Como as vacinas contra Covid-19 devem ser aplicadas?

Em janeiro de 2021,  as primeiras doses da vacina contra Covid-19 chegaram ao Brasil e começaram a ser aplicadas.

Deste então, estamos diariamente acompanhando a vacinação para frear a disseminação do coronavírus. É só ligar a televisão e, imediatamente, assistimos a aplicação de uma vacina!

Por isso, você, assim como muitos dos alunos e leitores deste blog, tem enviado perguntas sobre os procedimentos usados para a vacinação contra Covid-19. São questões como:

  • Qual o local correto para aplicar a vacina contra Covid-19?
  • É necessário fazer prega?
  • Porque os profissionais não aspiram antes de aplicar?
  • Deve-se usar ou não usar luvas?

E são exatamente essas perguntas que serão tratadas neste artigo! Vamos lá?

Aplicação correta da vacina contra Covid-19

Via e local de aplicação

Sempre que for aplicar uma vacina, é importante ler a bula do medicamento para verificar todas as suas especificações. 

Em relação às vacinas contra Covid-19, a administração deve ser por via intramuscular no músculo deltóide

E por que ele é o mais indicado? Para aplicação de vacinas em adultos, o deltóide é mais fácil de ser acessado, seguro para pequenos volumes e indicado nas referências técnicas sobre vacinação.

Evite erros relacionados à delimitação do local da injeção! Um ponto importante a se observar é que a vacina deve ser aplicada no centro do deltóide, área que tem maior espessura de tecido muscular. Há um erro já relatado na literatura, para vacinas em geral, é a aplicação na região próxima ao ombro, o que pode causar inflamação e lesões na estrutura desta articulação.

Escolha da agulha

Além do local exato, a agulha certa vai evitar o erro da via de aplicação. 

A agulha indicada para as vacinas contra Covid-19 para a maioria dos pacientes, tem o comprimento de 25 mm. Ela é suficiente para atingir o tecido muscular  e evita que a injeção seja feita no subcutâneo.

Técnica de aplicação da vacina contra Covid-19

Uma dúvida comum que tem surgido é se existe diferença entre a aplicação da vacina contra Covid-19 e outras vacinas.

No entanto, não há nenhuma recomendação específica, considerando tanto as técnicas de preparo, quanto de aplicação. Os procedimentos são os mesmos que os usados para  qualquer vacina intramuscular, por exemplo, a da gripe.

Então vale a pena relembrar dois conceitos básicos para estas vacinas:

  • Não é necessário fazer prega muscular 

Outra dúvida recorrente em relação a aplicação de vacina é se há necessidade em fazer prega. As recomendações mais atuais não indicam o uso da prega nas injeções intramusculares, pois ela pode aumentar o risco de aplicação no subcutâneo. 

Sendo assim, esticar a pele, usar agulha certa e no local correto já são cuidados suficientes para que a injeção seja feita dentro do músculo. Por outro lado, em pacientes muito magros e em idosos que têm pouco tecido muscular, pode ser necessário fazer a prega.

  • Não é necessário aspirar antes da injeção

A necessidade de aspirar antes de aplicar uma vacina intramuscular é um questionamento recorrente. No entanto, não existem razões clínicas para o uso dessa prática, o que pode ser confirmado pela Nota Técnica sobre Aplicação de vacina intramuscular e não indicação de aspiração publicada em 2020 pelo Ministério da Saúde. Recomendo fortemente que você leia e compartilhe esta publicação!

Aqui no Blog da Aplicar, temos o artigo “Aplicação de vacinas injetáveis – cuidados especiais sobre vias e regiões” que pode ser útil para você se aprofundar.

E as luvas: usar ou não usar?

O uso de luvas de procedimento, no âmbito do Programa Nacional de Imunização (PNI),  são indicadas apenas em algumas situações especiais.

Por isso, trago algumas recomendações baseadas em referências técnicas publicadas pela ANVISA, OMS e CDC:

  • As luvas não substituem a higienização das mãos.
  • Esse equipamento de proteção individual (EPI) não deve ser usado indiscriminadamente e não são indicadas para a administração de medicamentos injetáveis e vacinas pelas vias intramuscular, intradérmica e subcutânea.

No entanto, para esses casos, as luvas devem ser usadas nas seguintes situações: 

  • Quando existe o risco de entrar em contato com o sangue do paciente ou outro fluido biológico potencialmente contaminante.
  • Quando a pele do paciente não está íntegra, por exemplo, com eczema, corte, queimadura ou infecções. 
  • Quando a pele do profissional de saúde não está íntegra, por exemplo, com eczema, presença de lesões abertas com solução de continuidade nas mãos, rachadura ou pele seca.

Apesar da não obrigatoriedade de utilização de luvas de procedimentos para aplicação de vacina, se a instituição decidir pelo seu uso, deverá ser garantida a disponibilidade deste EPI.

Segundo a NR 32 “os EPIs, descartáveis ou não, deverão estar à disposição em número suficiente nos postos de trabalho, de forma que seja garantido o imediato fornecimento ou reposição”.

As luvas de procedimento são de uso único. Além disso, depois de colocadas, as luvas não devem ser usadas para outras atividades, como escrever ou tocar em qualquer superfície. Este cuidado evita a contaminação das luvas, bem como do ambiente. 

Também é importante ressaltar que as luvas devem ser descartadas nos coletores corretos, logo após o término da aplicação da vacina. 

Antissepsia com álcool

Assim como as luvas, a utilização do álcool, no âmbito do Programa Nacional de Imunização (PNI),  é indicado apenas em algumas situações especiais.

A necessidade de fazer antissepsia da pele com álcool a 70% antes da administração de injetáveis ou vacinas por via ID, SC e IM, não é consensual.

Ao optar por fazê-la, o procedimento recomendado é usar uma compressa ou algodão embebido em álcool a 70%, partindo do centro para fora num movimento circular, como uma espiral. Ao fazer isso, deve-se ter o cuidado de não passar duas vezes o algodão no mesmo local. É importante também deixar a pele secar completamente antes de inserir a agulha no tecido.

Ressalto  que a injeção é um procedimento invasivo e, por isso, está associado a um risco de infecção. Sendo assim, é importante a utilização de técnicas assépticas.

Assepsia e higiene não têm contraindicação

Condições de assepsia na manipulação das vacinas previnem infecções cruzadas e oferecem segurança para a equipe de trabalho e para a população. É fundamental preparar e administrar as vacinas em uma área limpa, onde seja improvável haver contaminação por sangue ou outros fluidos biológicos.

Antes de fazer o processo de higiene das mãos, deve-se dispor na bancada todo o material que será utilizado no procedimento.

Durante o preparo da dose, evite o contato direto das mãos com a agulha que está em uso e com algumas partes da seringa, como por exemplo, o bico da seringa.

Higiene das mãos é uma recomendação absoluta, não tem controvérsia, nem contraindicação. Deve ser feita sempre, antes e depois do procedimento de vacinação.

Segurança do paciente na aplicação de vacinas 

Segundo o Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP), “estima-se que erros de medicação ocorram em 27 a 35% de todas as vacinações independentemente do tipo de vacina”.

São exemplos destes erros:

  • substituição entre vacinas,
  • troca entre vacinas e outros medicamentos, por exemplo, insulinas,
  • uso de diluente diferente do recomendado,
  • administração de diluente isolado (sem a vacina).

Para evitá-los, o vacinador deve seguir as recomendações do fabricante da vacina que está sendo preparada naquele momento. Diversas recomendações fundamentais sobre este tema podem ser encontradas no informativo sobre segurança no uso de vacinas publicado pelo ISMP. Acesse para obter mais informações sobre o assunto.

No momento atual, a atenção deve ser redobrada, uma vez que temos diferentes vacinas contra Covid-19 sendo aplicadas ao mesmo tempo. Conhecer as  diferenças entre estas vacinas e as recomendações específicas de cada uma delas, como por exemplo os intervalos entre as doses, é de grande importância.

Neste artigo eu procurei apresentar a você, os principais pontos para as técnicas de aplicação da vacina contra Covid-19. Quero ressaltar que a aplicação de qualquer vacina requer estudo, conhecimento, dedicação  e responsabilidade. 

Fico à disposição para mais esclarecimentos e aguardo seus comentários e sugestões!